O olho é a lâmpada do corpo

A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, seu o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado; mas se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo ficará escuro. Pois se a luz que há em ti são trevas, quão grande serão as trevas?

(Jesus Cristo, no Sermão da Montanha)

Shodoka I

Eis aquele que é livre
Indo pelo Caminho, além de filosofias
Sem evitar a fantasia, sem buscar a verdade
A real natureza da ignorância é a própria natureza de Buda
O corpo vazio e ilusório é o próprio corpo de Buda.


[Joshu pergunta a Nansen:
"Qual é o Caminho?"
"A mente comum é o Caminho", responde Nansen.
"Devo tentar buscá-la?", pergunta Joshu.
"Se você tentar buscar, se afastará", responde Nansen.
"Como posso conhecer o caminho a não ser buscando-o?", insistiu Joshu.
Nansen diz:
"O Caminho não diz respeito a saber ou não saber. Saber é delusão; não saber é confusão. Quando você realmente alcançar o caminho verdadeiro além da dúvida, você o perceberá vasto e sem fronteiras, como o espaço ilimitado. Como se pode falar disso em termos de certo ou errado?"
Com essas palavras, Joshu alcançou uma súbita realização.]

Prática ao ar livre

O zazen ao ar livre tem suas especificidades. Nas instruções dadas por Keizan Zenji, em Zazen Yojinki, encontram-se boas orientações que devem ser consideradas para quem pratica ao ar livre, por exemplo:

"Quando estiver sentado em zazen, não se apóie numa parede, suporte ou tapume. Também não se sente em locais com vento ou em locais altos e expostos, onde você possa contrair alguma doença."

A íntegra do texto: Zazen Yojinki

"Uma coisa só, de natureza misteriosa,
densa, sem complicações,
Em que todas as dez mil coisas
são vistas como uma unidade;
Todos voltam à origem
e permanecem onde sempre estiveram,
Esquecendo o seu porquê,
sendo impossível preferir um a outro."

(Shinjinmei, Mestre Sosan - terceiro patriarca)

de manhã cedinho, colocar o zafu sobre as raízes
depois recolher garrafas e plásticos no gramado
um sanduíche à sombra da tipuana
e caminhar até a próxima parada
é bom nada entender

Zazenkai das praças

Sábado, 29 de agosto

Zazenkai é um dia dedicado apenas à prática.
No zazenkai das praças pratica-se zazen e limpeza em praças públicas (roteiro abaixo).

Informações: zazenoeste@yahoo.com.br

Levar:

. sacos de lixo
. luvas ou saquinhos de supermercado para proteger as mãos
. alimento e bebida para compartilhar
. zafu
. plástico ou jornal para forrar o chão
. água para beber e lavar as mãos

8:45 Mirante da Lapa (Praça Valdir Azevedo)
Esquina da rua Cerro Corá com a rua Japuanga

9:00 - 9:30 Zazen 1
9:30 - 9:40 Sutra
9:40 - 10:00 Samu 1
10:00 - 10:30 Zazen 2

10:30 - 10:50 Deslocamento para Praça Província de Saitama
10:50 - 11:20 Zazen 3
11:20 - 11:40 Samu 2
11:40 - 12:10 Zazen 4

12:10 - 12:50 Almoço/Descanso
12:50 - 13:20 Deslocamento para Praça do Boaçava (Praça Barão Pinto Lima)
13:20 - 13:50 Zazen 5
13:50 - 14:10 Samu 3
14:10 - 14:40 Zazen 6

14:40 - 15:10 Deslocamento para Parque Villa-Lobos
15:10 - 15:40 Zazen 7
15:40 - 16:00 Samu 4
16:00 - 16:30 Zazen 8
16:30 Sutra


Zazen


"Que ninguém reviva o passado
ou no futuro coloque as suas esperanças;
pois o passado foi deixado para trás
e o futuro ainda não foi alcançado.
Ao invés disso, que veja com clareza
cada estado surgido no presente."

(Bhaddekaratta Sutta, Uma Única Noite Excelente)

Não saber

Por toda parte, movimente-se livremente, sem perseguir condições, sem cair em classificações. Encarando tudo, deixe ir e alcance a estabilidade. Permaneça com aquilo apenas como aquilo. Permaneça com isto apenas como isto. Isto e aquilo misturam-se mutuamente sem discriminações de acordo com seus lugares. Por isso é dito que a terra ergue a montanha sem saber dos despenhadeiros desolados da montanha. Uma rocha contém o jade sem saber da perfeição do jade. É assim que verdadeiramente se deixa o lar, é assim que o deixar o lar deve ser declarado.

(Hongzhi Zhengjue)

Zazen no hospital

Sala de meditação do Hospital do Servidor Público Municipal

Sessões de Zazen 2ªs, das 7:00 às 9:00,
e 3ªs das 7:00 às 10:00.

O hospital fica na estação Vergueiro do Metrô
e a sala de meditação é no 9º andar.

A prática é aberta ao público em geral.

Sobre os pensamentos


"Afastar-se ou tocar:
ambos errados."

(Tozan Ryokai, Hokyozanmai – O Samadhi do Espelho Precioso)

Tesouro além da forma e do vazio


Não é algodão, não é seda.


"Maravilhoso manto da Iluminação
Tesouro além da forma e do vazio
Que possamos praticar o Caminho de Buda
A fim de salvar todos os seres"
tarde no parque
as carpas passeiam
pelas nuvens de outono

***

com as mãos em prece
o arrozal recita
Maka Hannya Haramita Shingyo


***

a lua crescente
está cheia esta noite
céu de outono
chove há mais de um mês
a praça encharcada
segue deserta
sem que ninguém visse
a paineira floriu,
as flores recolheram-se em suas bolotas
e a paina se espalhou pelo gramado,
misturando-se à lama
o Dharma é não-dependente
de opiniões e pontos de vista

Votos

“Que ninguém reviva o passado
ou no futuro coloque as suas esperanças;
pois o passado foi deixado para trás
e o futuro ainda não foi alcançado.
Ao invés disso, que ele veja com insight
cada estado surgido no presente;
que ele compreenda isso e tenha certeza disso,
invencível, inabalável."

(Mahakaccanabhaddekaratta Sutta)

o outono se espalha
pelo gramado da praça
velha paineira

Zazen

sem interrupções
o rio descansa na água

Desejo

Isto foi dito pelo Abençoado, dito pelo Arahant, assim ouvi:
“Há esses três tipos de desejo. Quais três? Desejo pela sensualidade, desejo por ser/existir, desejo por não ser/existir. Esses são os três tipos de desejo.”

Escravizados pelo desejo,
com as mentes castigadas pelo ser/existir e pelo não ser/existir,
escravizados pelos grilhões de Mara -
seres que não estão a salvo do cativeiro,
seres que permanecem perambulando,
dirigindo-se para o nascimento e morte.

Enquanto que aqueles que abandonaram o desejo,
livres do desejo por ser/existir e não ser/existir,
realizando o fim das impurezas,
embora estejam no mundo,
foram para mais além.

(Tanha Sutta)
neste gramado
semana após semana
se passaram muitas estações
sem compreender nada do Dharma
continuo por aqui
a grama começa se recolher
e logo vai ser preciso usar um gorro de lã
no primeiro outono
acabei ficando resfriado
depois aprendi a não sair de casa em certos dias
e deixar a praça cuidar de si mesma
no verão é comum encontrar
garrafas de vinho pelo gramado
após o zazen recolho as sobras da noite anterior
o espaço não faz distinções
hoje de manhã, com o outono por perto
só deu tempo de correr antes da chuvarada
durante a primavera
e por todo o verão
sentei-me sozinho nesta praça
fiquei íntimo das árvores, da grama e dos insetos
os pássaros e cigarras me mantendo desperto
e formigas passeando pelo meu corpo
agora que é outono, visitantes apareceram para se sentar comigo
por algum tempo, ficamos imóveis, sem nada fazer
aqui não temos condições para formalidades
sem instrumentos, móveis e qualquer apetrecho
tudo deve ser feito com o próprio corpo
meu mestre passou-me o manto
meu professor cedeu-me os zafus
tudo que há neste lugar é obra do Dharma
queimamos incenso entre as raízes
e fazemos reverência em qualquer direção
não há dentro ou fora,
então sentamos virados para qualquer lado
apenas sigo as instruções de meu mestre
“sente-se sob uma árvore, deixe ir, deixe vir.
o Dharma já existe plenamente em vocês,
praticando, ele se torna seu”.
domingo após domingo
sigo com a praça e as estações
no verão as crianças são muitas
mas agora que o outono chegou
nem o cão vira-lata está por perto
entre as árvores, me sento e pratico
experimentando com os ossos a mente de Buda

A cessação do sofrimento

“Ao ouvir um som com o ouvido... Ao cheirar um aroma com o nariz... Ao saborear um sabor com a língua ... Ao tocar um tangível com o corpo... Ao perceber um objeto mental com a mente, ele não deseja o objeto mental prazeroso e não repele o objeto mental desprazeroso ... Com a cessação desse deleite ocorre a cessação do apego; com a cessação do apego, cessa o ser/existir; com a cessação do ser/existir, cessa o nascimento; com a cessação do nascimento, envelhecimento e morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero cessam. Assim é a cessação de toda essa massa de sofrimento."

(Mahatanhasankhaya Sutta – O Grande Discurso sobre a Destruição do Desejo)

De mãos bem abertas

sob as árvores
com as costas eretas
professor e aluno praticam
os pássaros continuam suas atividades
assim como as formigas
o vento farfalha as folhagens
e um cão brinca no gramado logo adiante
do parquinho vem o vozerio da criançada
quem passeia pelas calçadas da praça
passa conversando sobre isso e aquilo,
assuntos do domingo
o professor ensina, o aluno aprende
a grama viceja, a manhã avança
não há nada a mais momento após momento
neste templo o zazen às vezes é interrompido
por uma criança curiosa ou uma tromba d’água
é que as paredes e o teto
são só o espaço vazio
o perfume do incenso se mistura
ao cheiro da terra molhada
e o toque do sino faz eco com o sabiá
não há nada além neste momento
tampouco algo incompleto
como exprimir isso em palavras?
professor e aluno praticam
de costas eretas sob as árvores
nada a ensinar, nada a aprender
quando termina o zazen,
recolhem-se as almofadas
nada para deixar, nada para levar.
ao final do zazen
observam-me pica-pau e homem-aranha
"é doido" fala baixinho um pro outro
"meu pai faz isso aí também", responde este
depois o pica-pau pula, voa até a paineira
enquanto o homem aranha escala o tronco da goiabeira

Canção da cabana coberta de relva

"Construí uma cabana de relva onde não há nada valioso.
Após me me alimentar, eu relaxo e tiro uma soneca.
Quando ela ficou pronta, novas ervas brotaram.
Agora nela se mora coberto por trepadeiras.
A pessoa na cabana vive aqui calmamente,
Sem se prender ao dentro, ao fora ou ao entre.
Nos lugares em que as pessoas do mundo vivem, ela não vive.
Os domínios que as pessoas do mundo amam, ela não ama.
Apesar de a cabana ser pequena, ela contém o mundo todo.
Em três metros quadrados, um velho homem ilumina formas e sua natureza.
Um bodhisattva do Grande Veículo confia sem dúvida.
As pessoas medíocres ou rasteiras não podem evitar elocubrar:
Essa cabana vai ou não se estragar?
Estragável ou não, o mestre original está presente,
sem se deter no sul ou norte, leste ou oeste.
Firmemente fundado na estabilidade, não pode ser superado.
Abaixo dos verdes pinheiros, uma janela luminosa –
Palácios de jade ou torres de rubi não podem ser comparados com isso.
Apenas sentar com a cabeça coberta, todas a coisas descansam.
Assim, esse monge da montanha definitivamente não entende.
Vivendo aqui ele não mais se esforça para se libertar.
Quem orgulhosamente providenciaria assentos, tentando seduzir convidados?
Vire ao contrário a luz para que brilhe no interior, então apenas retorne.
A vasta e inconcebível fonte não pode ser fitada nem evitada.
Encontre os mestres ancestrais, familiarize-se com suas instruções,
Junte relva para construir uma cabana, e não desista.
Deixe ir centenas de anos e relaxe completamente.
Abra suas mãos e caminhe, inocente.
Milhares de palavras, miríades de interpretações.
São apenas para libertar você das obstruções.
Se você desejar conhecer a pessoa imortal da cabana,
Não se separe desse saco de pele aqui e agora."


(Sekito Kisen)

Confiança no zazen

"O caminho perfeito não possui dificuldades
Mas não faz distinções ou preferências;
Apenas quando não houver apego nem aversão
É que tudo surgirá de modo claro e aberto.
Porém, com a menor diferenciação,
As coisas se afastam mais do que o céu e a terra;
Se quiser o caminho bem aqui, diante de seus olhos,
Não concorde ou discorde dele.
A competição entre a aceitação e a rejeição
É uma doença para a mente;
Sem compreender o significado profundo,
Esforça-se em vão para aliviar os pensamentos.
O caminho é circular, é um vazio imenso
Em que nada falta e nada sobra;
É só por causa do escolher e do rejeitar
Que o caminho deixa de ser assim.
Não procure condicionamentos externos
Nem permaneça no vazio interno;
Quando a mente repousa na unidade,
O dualismo desaparece por si mesmo.
Se acalmar a mente detendo seu movimento,
Essa quietude fará movê-la ainda mais;
Enquanto estiver nesse dualismo,
Como poderá conhecer a unidade?"


(Trecho de Shinjinmei, de Sosan, o terceiro Patriarca)

Sobre o Zazen

"Não procure a iluminação. Não tente escutar os fenômenos ilusórios. Não odeie os pensamentos que surgirão, nem os ame, e sobretudo não os guarde. De qualquer maneira, pratique o grande fundamento, aqui e agora. Se você não guardar o pensamento, ele não voltará por si só. Se você se entregar à expiração e deixar a inspiração enchê-lo, em um vaivém harmonioso, nada mais restará do que uma almofada sob o céu vazio, o peso de uma chama."

(Koun Ejo)

Templo

era uma casa muito engraçada
não tinha teto, não tinha nada
ninguém podia entrar nela, não
porque na casa não tinha chão
ninguém podia dormir na rede
porque na casa não tinha parede
ninguém podia fazer pipi
porque penico não tinha ali
mas era feita com muito esmero
na rua dos bobos, número zero.

(Vinicius de Moraes)

Caminho

andando sempre reto
dá-se a volta na praça
sem sair do lugar
já é de novo primavera

Meditação Zazen ao ar livre

Os mestres do passado meditavam sob árvores. Em cabanas ou cavernas, à beira de um regato, sentados em pedras ou pilhas de folhas secas. Desde Buda Shakiamuni os mestres são unânimes em ensinar: deve-se praticar aqui e agora, sem distinções ou delongas.

Hojes as grandes cidades são lugares complexos em que se vive separadamente, com raras experiências comunitárias. Com isso, a rede que une todos os seres não é percebida e muitas pessoas vivem uma vida de insatisfação. A mente fragmentada dispersa-se e o isolamento acentua-se.

Para retornar à unidade, há a prática do zazen shikantaza: apenas sentar, sem rejeitar ou reter nada, momento após momento, sem acrescentar ou eliminar nada, sem dar preferência a uma ou outra coisa. O que quer que surja na mente, deixar vir, deixar ir.

Ao ar livre, sem paredes, telhado, portas ou janelas. Sem propriedade, sem entrada ou saída, sem separação.

Sentar, praticar, limpar o local e seguir. Nada para levar, nada para deixar.


“Purifique a mente junto a um regato ou sob uma árvore.
Observe a impermanência sem descanso,
isso irá encorajá-lo a buscar o Caminho.”
(Keizan Zenji, Zazen Yojinki)

Zazen na Praça


o passado já se foi
o futuro ainda não existe
tudo o que temos é o momento presente

Zazen ao ar livre

Instruções e prática
de Shikantaza:
"apenas sentar".


Domingos, às 10:00. Em caso de chuva, não há prática.


Praça Barão Pinto Lima – conhecida como Praça do Boaçava
(na praça, dirija-se ao lado oposto ao das quadras, onde há uma grande paineira)

Informações:
9911.7469 (Monge Koun)
zazenoeste@yahoo.com.br
http://zazenoeste.blogspot.com/


Sobre o zazen

"Desprenda-se da mente, do intelecto e da consciência, abandone a memória, o pensamento e a observação sozinhos. Não tente fabricar Buda. Não se preocupe com o quanto você acha que está indo bem ou mal; apenas entenda que o tempo é precioso, como se seu cabelo estivesse em chamas."

(Keizan Zenki, Zazen Yojinki)

Sobre o zazen

"Zazen não é 'meditação passo a passo', mas simplesmente a tranqüila e agradável prática de um Buddha, a realização da sabedoria de Buddha. A verdade aparece, não há delusão. Se você compreende isso, você é completamente livre, como um dragão que alcançou a água ou um tigre que descansa na montanha. A lei suprema então surgirá por si mesma, e você se libertará do cansaço e da confusão mental."

(Dogen Zenji, Fukanzazengi)

Tudo é impermanente

"Tudo o que nasce morre.
Tudo o que chega parte.
O que foi tomado será perdido.
O que foi feito será quebrado.
O tempo passa como uma flecha.
Tudo é efêmero.
Há algo, neste mundo, que não seja transitório?"
(Dogen Zenji)

Poema do Zazen

"Fazendo zazen calmamente no dojo
Colocando de lado todos os pensamentos negativos
Obtendo nada além de uma mente sem desejos
Esta alegria está além do paraíso

O mundo corre atrás de fama e honra
Roupas bonitas e conforto
Mas estes prazeres não são a verdadeira paz
Você corre e permanece insatisfeito até a morte

Vista o kesa e o quimono preto e pratique o zazen
Concentre-se com determinação,
Quer esteja quieto ou em movimento
Veja com seus olhos a profunda sabedoria interior
Observe e conheça intimamente
O verdadeiro aspecto de toda ação e de toda a existência
Seja capaz de observar o equilíbrio
Compreenda e conheça com uma mente que está totalmente calma

Se você é assim
Sua dimensão espiritual,
A mais elevada no mundo,
Estará além de qualquer comparação."

(Kodo Sawaki Roshi)